Se estivesse entre nós, estaria dando risada do próprio infortúnio, encarando a vida e seus desafios como sempre: com um acolhedor sorriso no rosto. Na première do documentário Aydil Bonachela, Para Sempre, dirigido por Marcos Otero, emoções não faltaram. A exibição, até então marcada para as 20 horas de hoje (dia 23) nos Cinemas Multiplex Topázio, precisou ser atrasada por cerca de 15 minutos para que os espectadores pudessem escapar da chuva torrencial.

O filme, como bem destacaram outros colegas blogueiros, não é um primor, mas se destaca pela força de seus depoimentos. Amigos e companheiros de Rádio Jornal e Tribuna de Indaiá passam pela telona, até o depoimento emocionado de seu filho Mauro. E então o DVD enrosca e o filme é retomado de seu primeiro minuto. A intempérie tecnólogica faz com que 50% do público presente se levante e deixe a sala 1 do Cine Topázio.

No entanto, mostrando que sua força é mesmo infindável, a radialista intercede junto aos céus para que a cópia do documentário seja reiniciada do ponto onde havia parado e a maior parte do público retorne, isso mesmo, retorne para suas cadeiras mesmo depois de achar que a sessão havia terminado. E quando tudo parecia estar caminhando para um final triunfal, os relatos de sua morte por entes queridos são interrompidos por uma súbita queda na energia elétrica que novamente freia a sessão.

Me dei por satisfeito. Creio que Aydil não nos quisesse lamentando sua morte, mas sim brindando tudo o que fez em vida. Por onde passou, ela deixou sua marca de amor e carinho, mesmo que a vida lhe impusesse duras provações. No entanto, demonstrando ser mesmo um ser iluminado, Aydil continuou a agradecer aos céus pela vida e a direcionar toda sua força interior para ajudar o próximo. Não, eu não quero assistir o final deste filme. Para este blogueiro, ele termina exatamente onde devia terminar: com Aydil abençoando a todos por mais um dia que estava por começar. E assim deve ser. Obrigado, minha cara amiga, por ter nos brindado com sua – nem um pouco simples – existência.

PS: A foto acima, de autoria do meu amigo Ricardo Miranda, estampou uma reportagem da Revista da Tribuna, onde discutimos as diferenças no colunismo social de ontem e hoje, na ocasião do cinquentenário do jornal Tribuna de Indaiá.