Por Fábio Alexandre

A morte de Michael Jackson evidenciou um fenômeno que não pode ser ignorado, principalmente pelos profissionais da imprensa: a Internet é sim, atualmente, a mais poderosa ferramenta de informação existente. Pela primeira vez, um site especializado na vida das celebridades, o TMZ, “furou” as grandes agências de notícias e jornais pelo mundo, divulgando em primeira mão a morte do ídolo, que teve uma vida marcada por grandes sucessos, mas também por polêmicas tão grandes quanto. Nada melhor (será?) que a morte para redimir um ídolo máximo de possíveis erros que cometeu durante sua atribulada vida.

Em busca de mais informações, os internautas congestionaram os servidores de redes sociais como o Twitter e o Facebook, além de sites de busca como o Google. Foi um verdadeiro caos para quem não queria esperar o dia seguinte para ler a notícia em seu jornal predileto. Ou seja, além dos jovens, já habituados com o dinamismo e a fluidez das notícias na grande rede, os internautas mais, digamos assim, “experientes”, também estão migrando.

O único diferencial talvez seja aquele que mantém os jornais “vivos”: o internauta mais “experiente”, mesmo depois de buscar informações na internet, compra o jornal para saber mais e principalmente, ler artigos de seu jornalista, colunista ou cronista predileto. Hoje em dia, todos queremos saber qual é a opinião alheia sobre determinado assunto. Talvez esta constante curiosidade explique nosso fascínio por reality shows idiotas como A Fazenda, atualmente exibido pela Rede Record.

Ou explique ainda porque a Rede Globo vem mudando o perfil de seus programas mais assistidos, misturando informação e comentários descontraídos de seus apresentadores, algo que Boris Casoy já fazia, mesmo que mais sisudamente falando, nos telejornais que comandou ao longo de sua carreira. Quem não se lembra do bordão “ISTO É UMA VERGONHA?”. Mas para criticar, sugestionar ou mesmo elogiar, é preciso credibilidade, fator fundamental para o exercício do jornalismo, e algo que não se conquista da noite para o dia.

É este, atualmente, o grande desafio dos profissionais de imprensa ligados à internet: a conquista da credibilidade. Afinal de contas, o grande número de sites e blogs que pode ser encontrado na grande rede obriga o internauta a “garimpar”, entre as principais opções, aquela que mais o agrada e lhe parece confiável. Esta não é uma tarefa fácil, mas que aos poucos vem sendo facilitada pela criação de ótimos portais de informação, como o próprio TMZ, que mira em um público específico e o agrada com competência. Que o diga os fãs de Michael Jackson que, mesmo lamentando a morte de seu ídolo, puderam homenageá-lo antes mesmo de ligar a televisão ou abrir seu jornal.