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17 julho, 2009

Gay Talese no Centro do Roda Viva

Gay Talese pela Revista LIFE Uma grande oportunidade de conferir um dos maiores nomes do jornalismo mundial. É o que oferece o programa Roda Viva, da TV Cultura, na próxima segunda-feira, dia 20, a partir das 22h10. O jornalista americano Gay Talese diz, em entrevista exclusiva, que o jornalismo nos Estados Unidos não foi bom durante o governo Bush. "Não foi um bom casamento", relata.

Talese explica que, depois do ataque às Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001, o jornalismo se enfraqueceu e a tendência de se abraçar a causa anti-terrorista de George W. Bush ficou visível. "Quando vimos o avião cruzando o World Trade Center não podíamos dizer que aquilo não era verdade", diz.

Talese, de 77 anos, 11 livros publicados - um deles sobre os bastidores do The New York Times - ainda fala sobre a melhor entrevista que fez, o que considera ser realmente jornalismo, a influência das famílias no controle dos meios de comunicação e de seu próximo livro, que vai enfocar os 50 anos de seu casamento com a editora Nan Talese.

Aos jornalistas, Gay Talese aconselha: "Trabalhe duro, vá às ruas, fale com as pessoas". O jornalista ressalta que não há história linear. "O jornalismo não é feito de perguntas e respostas. Circule, veja as pessoas, você vai encontrar outras histórias". Para o autor de O Reino e o Poder, o jornalista precisa ter "um forte senso de verdade". Mas Gay Talese faz uma ressalva: "É difícil definir a verdade". Por isso, conduz o argumento, o jornalismo imparcial torna-se impraticável. "Políticos mentem, as pessoas mentem. É difícil fazer jornalismo bem".
Propagandas, lobbies, empresários precisam ficar de fora. "O jornalismo é um grupo separado que informa e seleciona os eventos que existem no mundo".

No Roda, Gay Talese também fala sobre o controle familiar nos grandes grupos de comunicação. Para ele, o modelo está em retrocesso principalmente por um motivo: "cruzar o editorial com a propaganda". Consagrado pela entrevista que fez com Frank Sinatra, o jornalista conta que sua melhor entrevista foi com o ex-ditador Fidel Castro, quando o líder se encontrava entre Miami e Havana, em um avião. "Foi uma entrevista não-verbal. Feita basicamente por observação. Fidel Castro é uma personalidade com grande caráter".

Gay Talese considera o The New York Times como o melhor veículo de comunicação do mundo, melhor que revistas como a The Economist. Define o que faz: "Falar como as coisas acontecem. Eu faço o meu melhor trabalho. É isso". O Roda Viva, apresentando excepcionalmente por Paulo Markun, conta com uma bancada formada por Carlos Eduardo Lins da Silva (ombudsman da Folha de S. Paulo); Regina Echeverria (jornalista); Humberto Werneck (jornalista e escritor); e Caio Túlio Costa (jornalista e professor de Jornalismo na Cásper Líbero e consultor de Novas Mídias). Esta edição do programa será legendada.

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