Caros amigos, estava realmente difícil arrumar tempo para blogar e postar fotos da Virada Cultural Paulista. Por isso, resolvei reunir tudo em um único texto, com trechos do que vocês já leram, mas com algo a mais. Espero que gostem:

Reflexos da Virada

Por Fábio Alexandre

A noite começou fria, mas em pouco tempo o ar gelado não importava mais. O público foi chegando e em pouco tempo, o palco montado no Parque Ecológico tornou-se ponto de encontro de diversas tribos, raças e credos, todos com um único objetivo: se divertir com sua banda ou artista preferido. Mas o Parque não ficaria com toda a responsabilidade. Quilômetros dali, a Sala Acrísio de Camargo lutava para acomodar o público que chegava e lotava suas atrações. Ao final da maratona de quase 24 horas, a certeza: a Virada Cultural Paulista em Indaiatuba veio para ficar.

A noite de sábado, dia 16, reservou uma grata surpresa ao público: o Móveis Coloniais de Acaju, de Brasília. Sua mistura de rock e ska, apoiado em metais potentes, torna o Móveis uma banda bonita de se ver e ainda mais, de se ouvir. Seus componentes curtem cada momento no palco e vivenciam a música que tocam como ninguém. Seu vocalista, André González, é dono de uma versatilidade ímpar. Para brindar a apresentação, os músicos descem do palco e se misturam à plateia, causando verdadeiro frenesi nos fãs que marcavam presença.

Na sequência, é a vez de Indaiatuba ser devidamente representada pelo grupo Alien Groove, que comprova que o rock instrumental também tem seu público. Com anos de estrada e componentes respeitados no meio musical, o trio deixa seu recado antes da entrada do apocalíptico Marcelo Nova. Contudo, o roqueiro baiano não chega a empolgar a plateia, apostando muito mais nos riffs de sua guitarra do que nos clássicos que brindaram sua carreira.

Enquanto isso, na Sala Acrísio de Camargo, a Cisne Negro Cia. de Dança comprovava toda sua excelência. Se apesar de belíssima, a primeira coreografia, Frutos da Terra, ainda não conseguira conquistar o público, o mesmo não aconteceria com a dinâmica e jovial Trama, que sobe ao palco com uma trilha sonora caprichada e um roteiro com direito a momentos de comédia que provocam risos por toda a sala, lotada pela primeira vez naquela noite.

Enquanto Danilo Moraes dedilha sua violão com maestria na Sala Acrísio, os capixabas do Dead Fish colocavam todo mundo para chacoalhar a cabeleira no Parque Ecológico. Do lado de fora do teatro, uma enorme fila se formava para ver um único palhaço. Mas não um palhaço qualquer, mas Hugo Possolo, dos Parlapatões, com o espetáculo Prego na Testa. Explorando as neuroses do homem moderno, o clown consegue fazer rir, ao mesmo tempo em que incita a reflexão. Divertido e necessário, como todo espetáculo deveria ser.

Crédito: Fábio Alexandre

A noite de sábado ainda reservaria uma prova de fogo. Mesmo com os termômetros marcando 14 graus, uma multidão se reuniu para conferir os sucessos de Labiata, novo álbum de Lenine. Com seu carisma e uma voz marcante, além da grande intimidade com o violão e a guitarra, o cantor e compositor esbanjou talento, colocando todo mundo para cantar. No Ciaei, o público se preparava para o experimentalismo da Patife Band, mas também reservava sua surpresa. Às 3 horas da manhã, mais de mil pessoas compareceram para ver a comédia Clube do Improviso, talvez a maior surpresa da primeira noite da Virada.

Domingo

Crédito: Fábio Alexandre

O domingo, dia 17, trouxe consigo o sol e uma enorme fila para conferir toda a excelência da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Sob regência de Wagner Polischuk, que comandou as sinfonias de Haydn e as canzonas de Giovanni Gabrielli, os músicos encartaram as mais de 800 pessoas que madrugaram para conferir a apresentação, que deixará saudades.

Crédito: Fábio Alexandre

Do lado de fora da Sala Acrísio de Camargo, famílias inteiras chegavam para conferir e se divertir com O Meninotauro, do Grupo Furunfunfum. Enquanto isso, a arretada Janaína Pereira, vocalista do Bicho de Pé, com sua mistura de forró e samba-rock, transformava o Parque Ecológico em um verdadeiro salão de festas, com casais exibindo seus dotes para a dança em diferentes níveis de aprendizado, mas com o mesmo objetivo: divertir-se.

Crédito: Fábio Alexandre

O dia reservara ainda ao público a excelência do violão de Yamandú Costa, um velho conhecido dos indaiatubanos, e o hardcore do CPM 22, que reuniu a juventude para celebrar o fim de uma maratona que deixou saudades e espera-se, volte com força total em 2010.