Como já disse aqui em um post anterior, recomeçar nem sempre é fácil. O que dizer então sobre as dificuldades de se reinventar? Apresentar um novo você para uma plateia habituada com uma fórmula pré-definida e de grande sucesso não é uma tarefa fácil. Que o diga o talentoso ator e humorista Marco Luque. Longe de personagens como Motoboy, Jackson Faive e Silas Simplesmente, o co-apresentador do CQC resolveu seguir os passos de seus colegas de televisão e investir suas fichas no stand-up comedy, em novo show apresentado na última quinta-feira, dia 30, na Sala Acrísio de Camargo.

Luque começa o espetáculo explicando ao público os desafios que o levaram a deixar o projeto Terça Insana e se arriscar em um novo formato de show. Novo sim, afinal de contas, ele deixa os figurinos de seus personagens para trás e sozinho no palco, tem a missão de fazer rir uma plateia por pouco mais de uma hora. Desafio que parece fácil para quem tem seu talento. Mas isso não impede que o ator e humorista comece comedidamente, analisando a reação do público, como ele mesmo faz questão de dizer.

Aos poucos, depois de umas piadas mais, digamos assim, “seguras”, Luque parece deixar o texto para trás, investindo em piadas e situações que lhe vem à cabeça. Aos poucos, seu talento natural para a comédia aflora e seu lado ator ganha mais destaque. No entanto, é difícil se livrar de certos “vícios” e Luque aproveita, sim, algumas piadas já contadas na Terça Insana, além de bordões que se tornaram marca registrada de seus maiores personagens.

Misturando o “velho” com o “novo”, mas dando prioridade a tudo aquilo que é novidade para ele e para seu público, Luque constrói seu próprio jeito de fazer stand-up, gênero que parece ter caído nas graças do brasileiro. E não pense que isso é ruim. É apenas diferente. Diferente como o trabalho de Luque no Terça Insana e agora em seu espetáculo solo. Um processo de reinvenção ainda em execução, mas que merece destaque e todo carinho do público.

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