URGENTE

A Fé que Move Montanhas de $$$

Por Fábio Alexandre

Se a fé realmente move montanhas, de uns tempos pra cá ela vem as erguendo também. Mas ao contrário das elevações geográficas do ditado popular, estamos falando de montanhas de dinheiro, erguidas por meio de métodos pouco peculiares. Juntas, estas Neo-Igrejas tem apenas um detalhe em comum: usam o nome Dele para fazer valer sua mensagem, seja ela produtiva ou não, seja ela honesta ou não.

Não é difícil ver como a fé se tornou um negócio altamente rentável. Seja na TV aberta ou mesmo por assinatura, é fácil encontrar um pastor, um mensageiro, ou seja lá o quê “pregando” a palavra Dele como bem deseja. A maioria, como não poderia deixar de ser, utiliza um artifício pouco honesto, mas de grande valia: a dificuldade alheia. Você não consegue emprego? Reze conosco. Sua vida amorosa e sexual é uma porcaria? Ore conosco. Você não consegue aquele emprego que almeja? Berre conosco. Basta dizer algumas palavras que o “encosto” - que geralmente atende pelos desígnios de capeta ou diabo - simplesmente corre de volta ao lugar de onde nunca deveria ter saído.

Interessante (ou seria engraçado?) é analisar como estes neo-mensageiros do Senhor agem em frente a seus espectadores, seja na televisão ou em seus luxuosos mega-templos. Todos falam com uma voz meio rouca, pausadamente, como se quisessem trazer algum conforto àqueles que ouvem suas palavras. Daí a “crer” é um pequeno passo. Para quem realmente sofre algum infortúnio (e quem não sofre?), acreditar naquele homem da TV parece a solução ideal. Mas nem sempre a fé vem desacompanhada.

Para “crer” e se livrar das agruras cotidianas, é preciso frequentar o Culto pela Cura dos Desafortunados, ou então a Missa pela Alma dos Desajustados, e até mesmo a Oração para Mandar o Capeta de Volta ao seu Devido Lugar. Mas não é tão simples assim resolver todos os seus problemas. Para se “ajustar” com a mensagem de ocasião, é preciso saber “retribuir”. E se você pensa que o dízimo ainda é a bola da vez, está redondamente enganado.

Agora, para ajudar seu neo-mensageiro predileto, é preciso comprar seu livro ou adquirir o DVD de seu culto proferido para milhares de pessoas em algum grande ginásio ou estádio. Tem alguns que intitulam sua própria fé como um show, e pretendem aumentar a capacidade de distribuição e captação de sua mensagem vendendo seu próprio pacote de TV por assinatura, com destaque, logicamente, para a programação “religiosa”.

Certos neo-mensageiros intitulam sua Igreja como Mundial. Será que Ele sabe que estão globalizando a fé a partir de um único e determinado ponto no globo? Será que a fé distribuída mundialmente através da Nossa TV é realmente melhor ou mais satisfatória que a fé que vem de outros pontos do planetas? E o pior: será que Ele recebe royalties pela internacionalização de seus “serviços” de fé?

Que a fé é realmente um grande produto, ninguém duvida. Basta analisar o crescimento da Igreja Católica, principalmente durante a Idade Média, quando mandava e desmandava, apoiado na crença de que os reis eram personificações Dele na Terra. De uns tempos pra cá, como em todas as demais áreas econômicas, a fé se tornou mais uma maneira de investir seu dinheiro. Alguns preferem bens de consumo duráveis. Outros, bens de consumo não tão duráveis assim. E tem aqueles que optam pela “descapetização” de todos os seus problemas, na expectativa de que os bens de consumo duráveis e não-duráveis tornem-se um simples e rápido reflexo de sua fé.

Um comentário:

Eliana Belo disse...

A fé sempre foi uma mercadoria de grande retorno para quem a comercializa e sempre há os desesperados que vendem sua alma, sua dignidade e até o seu bom senso nos momentos de aflição. Uma pena que muitos cultos falem mais do diabo do que de Jesus e atribuam a ele todo o mal que há na vida das pessoas. Desenvolver a análise crítica dos fiéis para que eles enxerguem a verdadeira causa das injustiças da sociedade, infelizmente, ultimamente não está dando ibope nos templos/igrejas. Muito bom seu texto, vale como gancho de reflexão. Quem sabe assim muitos enxergam que o comércio atual da fé nada mais é do que a mesma venda de indulgência que se fazia no passado. E saem do comodismo de achar que quem desenha as injustiças sociais está no inferno, pois tem muitos outros muuuuuuuuuito mais próximos de nós do que esse daí. Vade Retro! Step back!

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