Cinema Nacional em 2011

Nos últimos anos, o cinema nacional deixou de ser um gênero próprio para ganhar seu próprio espaço. Calma, já explico: tempos atrás, íamos ao cinema para assistir um drama, uma comédia, um suspense, uma aventura ou... aquele FILME NACIONAL. Como se os filmes feitos por aqui não tivessem gênero próprio, uma identidade em sua gênese.

No entanto, após a Retomada, uma série de bons filmes colocou a produção nacional de volta aos holofotes. Filmes como Central do Brasil, Cidade de Deus, Carandiru, Lisbela e o Prisioneiro e Os Normais foram precursores deste retorno, que ganhou um belo empurrão com Tropa de Elite, de 2007, que consolidou seu sucesso em 2010 com Tropa de Elite 2, que já fez 11 milhões de espectadores e uma arrecadação de R$ 102,5 milhões apenas nos cinemas.

Aliás, o filme de José Padilha foi o grande responsável pelo recorde de arrecadação em 2010. Se em 2009 os filmes produzidos por aqui acumularam R$ 131,4 milhões, em 2010 este número subiu para R$ 225,7 milhões. Por isto, alguns críticos já chamam 2010 de um ano 'atípico'. Mas será mesmo? Será que o Brasil não tem condições de lançar um Tropa de Elite 2 por temporada? Ou mesmo aumentar o número de produções e chegar, ou aumentar, estes números conquistados em 2010?

A temporada 2011 começou com a comédia De Pernas Pro Ar, protagonizada por Ingrid Guimarães (e que ainda não assisti, confesso), que estreou em 31 de dezembro e já superou a marca de 1 milhão de espectadores, público contabilizado até a última quarta-feira, dia 5, segundo a distribuidora do filme. Em 2010, apenas cinco produções tupiniquins alcançaram esta marca: Tropa de Elite 2, Nosso Lar, Chico Xavier, Muita Calma Nessa Hora e (pasmem!) Xuxa em O Mistério de Feiurinha.

Levando-se em conta que ainda estamos em janeiro e que o primeiro filme já passou de seu
primeiro milhão, como não ser otimista com a temporada? Confira uma lista do que vem por aí:

14 de janeiro – Desenrola | Direção: Rosane Svartman

21 de janeiro – Brasil Animado 3D | Direção: Mariana Caltabiano

Trailer do primeiro desenho animado produzido no Brasil em 3D

21 de janeiro – Lixo Extraordinário| Direção: João Jardim, Karen Harley e Lucy Walker
28 de janeiro – Malu de Bicicleta | Direção: Flávio Tambellini
4 de fevereiro – Sequestro | Direção: Wolney Atalla
11 de fevereiro – Qualquer Gato Vira-Lata | Direção: Tomas Portella

25 de fevereiro – Bruna Surfistinha: O Doce Veneno do Escorpião | Direção: Marcus Baldini

Deborah Secco promete lotar as salas de cinema

4 de março – Lope | Direção: Andrucha Waddington
4 de março – Raul: O Início, o Fim e o Meio | Direção: Walter Carvalho e Evaldo Mocarzel

11 de março – Família Vende Tudo | Direção: Alain Fresnot

18 de março – Bróder | Direção: Jeferson De
25 de março – Rosa Morena | Direção: Carlos Augusto de Oliveira

25 de março – VIPs | Direção: Toniko Melo

Wagner Moura em mais uma produção que deve bater recordes

1 de abril – As Mães de Chico Xavier | Direção: Glauber Filho e Halder Gomes

21 de abril – Cilada.com | Direção: José Alvarenga Jr
29 de abril – Não Se Preocupe, Nada Vai Dar Certo | Direção: Hugo Carvana
6 de maio – Não se Pode Viver Sem Amor | Direção: Jorge Durán
10 de junho – Estamos Juntos | Direção: Toni Venturi

22 de julho – Assalto ao Banco Central | Direção: Marcos Paulo

5 de agosto – Capitães de Areia | Direção: Cecília Amado
26 de agosto – O Palhaço | Direção: Selton Mello

2 de setembro – O Homem do Futuro | Direção: Claudio Torres

2 de setembro – Lutas | Direção: Luiz Bolognesi
21 de outubro – Dois Coelhos | Direção: Afonso Poyart
31 de dezembro – Billi Pig | Direção: José Eduardo Belmonte

Com tantos bons filmes na lista, em diversos gêneros, parece que enfim daremos ao cinema
brasileiro o reconhecimento que ele merece. E ao sairmos de casa, não o faremos para assistir aquele FILME NACIONAL. Mas sim uma comédia, um drama, um suspense, uma aventura produzida por aqui. Aposto em uma temporada ainda melhor que 2010. Se não em termos de bilheteria, ao menos de produção e qualidade. Aos poucos, vamos trilhando nosso caminho. Que baita orgulho, hein?

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